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25.05.2015
UM GOLPE FUNDO NA NOSSA JORNADA

Tristeza, desânimo, revolta, indignação, pessimismo. Esses sentimentos hoje se acentuam na nossa jornada. Surpresa? Não. Estamos acostumados com a margem, com o final da fila, com a indiferença. Afinal de contas, escrevemos, vendemos, consumimos, imprimimos, distribuímos livros e acreditamos que educar, aprender, entender, sonhar, é uma boa saída para a maioria dos problemas que enfrentamos como cidadãos e brasileiros. A paciência e o enredamento que temos com um livro nas mãos é a mesma que nos faz trabalhar sem esmorecer mesmo sabendo que não somos nós que vamos fechar a última página dessa história. Nossa alegria e comprometimento é folhear as páginas, finalizar alguns capítulos e passar adiante, pois acreditamos que alguém vai ler ou escrever um final feliz no futuro.

O cancelamento da Jornada de Passo Fundo não pode ser o cancelamento da nossa jornada. Deve sim, servir para alimentar nossa indignação, servir para que questionemos os que pensam e dirigem nosso país, estejam eles representando a sigla que for. Partidos? A palavra por si só é excludente e segregaria. O que é do bem não parte, reparte. A oposição são todos que se posicionam a direita ou a esquerda para equilibrar e não para empurrar, coração valente tem os cardíacos na fila do INSS e os professores desse país. Hoje sabemos das barreiras que impedem os bons políticos de serem mais eficientes, sabemos das intenções e incompetência dos restantes, digo restantes de resto mesmo, a parte que está sobrando, excedente, o lixo, a rapinagem que mata milhares roubando da saúde, que mata milhares roubando da segurança, que mata uma geração inteira roubando da educação. Onde querem chegar? Como querem chegar? Qual plano? Existe um plano? Não me venham com essa de plano de governo, me refiro a plano de vida, de futuro. Pois, nós temos um plano e não se resume só em terminar de ler, terminar de escrever, vender ou terminar de imprimir mais um livro, temos planos de começar de uma vez por todas a história de uma sociedade mais justa, inclusiva, criativa, mais saudável, com menos violência e sem corrupção (talvez essa última proposta seja a razão da indiferença com que tratam a educação).

Consigo compreender a indiferença de boa parte dos gaúchos com o cancelamento da Jornada de Passo Fundo e até entendo quando a grande maioria da população pensa que na situação em que se encontra o país, ler ou proporcionar a leitura é o que menos importa. Só não aceito escutar isso, como já escutei de empresários e seus gerentes de marketing. Até quando vão se isentar das responsabilidades inerentes a sua posição dentro da sociedade? Até quando a iniciativa privada vai se fazer de desentendida e ficar contando com os governos para fazer aquilo que sabemos, não vão fazer? De quanto tempo ainda precisam para se conscientizar de que só a educação e o conhecimento podem formar competentes, saudáveis e satisfeitos colaboradores para suas empresas, que só a educação e o conhecimento podem reduzir e acabar com a violência nas ruas? O que é preciso acontecer para entenderem que o fortalecimento e o sucesso de seus negócios passam antes por uma sala de aula e que a sensação de segurança atrás de vidros blindados e cercas elétricas é verdadeiramente só uma sensação?

A nossa sensação? Hoje é de insegurança, tristeza, desânimo, revolta, indignação, pessimismo. Conformados? Nunca! Não contem com isso. Estamos acostumados a virar páginas.

Marco Cena, diretor da Câmara Rio-Grandense do Livro e diretor da BesouroBox.


Jornada de Literatura de Passo Fundo.
Divulgação

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